Escrito por Professor Rafael Meurer às 17h03
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Segundo especialistas, o planeta terra está chegando numa situação insustentável. O clima está cada vez mais desregulado e a probabilidade de termos cada vez mais catástrofes naturais é grande. O planeta terra, obviamente chegou onde chegou por conta das ações humanas, principalmente do sistema econômico adotado no mundo a partir do século XVIII, a partir da Revolução Industrial. O sistema capitalista gerou muitas riquezas a humanidade, mas gerou também muita pobreza e muita poluição, desmatamento, destruição da natureza. A relação entre a História e o Meio Ambiente é muito grande, principalmente por que nos últimos anos o assunto mais batido são os problemas ambientais. Mas muita gente fala sobre estes problemas que o planeta enfrenta, mas esquece o real motivo disso tudo. É preciso fazer a ligação estreita entre o sistema capitalista, os problemas sociais e os problemas ambientais. Atualmente não é possível falar apenas de problemas sociais e esquecer do meio ambiente. O sistema capitalista levou a sociedade mundial a um grau de destruição ambiental nunca imaginado. A busca desenfreada por lucros levou milhares de empresas a passar por cima de todas as preocupações ambientais. Mesmo as ações das últimas décadas feitas em defesa do meio ambiente não resolverão o problema. Uma grande tentativa feita por vários chefes de estados tenta diminuir a poluição no planeta terra. É o Tratado de Quioto, que entrou em vigor no início de 2005. Mas o governo dos EUA se recusam a assinar, alegando que isso afetará os lucros do país. Ou seja, o lucro das multinacionais dos EUA é mais importante o Planeta Terra. A seguir estão reunidos alguns textos que tratam sobre a industrialização e o planeta terra.
Escrito por Professor Rafael Meurer às 17h07
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Pixer
http://pixer.us/
Classificação: 
Editor de imagem.
Categoria: Link
Escrito por Professor Rafael Meurer às 17h00
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A Importância da consciência Ambiental para o Brasil e para o Mundo
Durante o período da chamada Revolução Industrial não havia preocupação com a questão ambiental. Os recursos naturais eram abundantes, e a poluição não era foco da atenção da sociedade industrial e intelectual da época.
A partir da escassez dos recursos naturais, somado ao crescimento desordenado da população mundial e intensidade dos impactos ambientais, surge o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural, e faz do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente. O homem começa a entender a impossibilidade de transformar as regras da natureza e a importância da reformulação de suas práticas ambientais.
Os limites:
A humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Com isso, está avançando sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atual e futuras segundo o Relatório Planeta Vivo 2002, elaborado pelo WWF e lançado este ano em Genebra.
De acordo com o relatório, o planeta tem 11,4 bilhões de hectares de terra e espaço marinho produtivos - ou 1,9 hectares de área produtiva per capita. Mas a humanidade está usando o equivalente a 13,7 bilhões de hectares para produzir os grãos, peixes e crustáceos, carne e derivados, água e energia que consome. Cada um dos 6 bilhões de habitantes da Terra, portanto, usa uma área de 2,3 hectares. Essa área é a Pegada Ecológica de cada um. O fator de maior peso na composição da Pegada Ecológica hoje é a energia, sobretudo nos países mais desenvolvidos.
A Pegada Ecológica de 2,3 hectares é uma média. Mas há grandes diferenças entre as nações mais e menos desenvolvidas, como mostra o Relatório Planeta Vivo, que calculou a Pegada de 146 países com população acima de um milhão de habitantes. Os dados mais recentes (de 1999) mostram que enquanto a Pegada média do consumidor da África e da Ásia não chega 1,4 hectares por pessoa, a do consumidor da Europa Ocidental é de cerca de 5,0 hectares e a dos norte-americanos de 9,6 hectares.
Embora a Pegada brasileira seja de 2,3 hectares – dentro da média mundial, mas cerca de 20% acima da capacidade biológica produtiva do planeta.
Quanto falamos em emissões de poluentes, as diferenças dos índices emitidos pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento também são significativas: Um cidadão médio norte-americano, por exemplo, responde pela emissão anual de 20 toneladas anuais de dióxido de carbono; um britânico, por 9,2 toneladas; um chinês, por 2,5; um brasileiro, por 1,8; já um ganês ou um nicaragüense, só por 0,2; e um tanzaniano, por 0,1 tonelada anual. A China e o Leste da Ásia aumentaram em 100% o consumo de combustíveis fósseis em apenas cinco anos (1990/95). (Wolfgang Sachs, do Wuppertal Institute)
Nos países industrializados cresce cada vez mais o consumo de recursos naturais provindos dos países em desenvolvimento - a ponto de aqueles países já responderem por mais de 80% do consumo total no mundo. Segundo Sachs, 30% dos recursos naturais consumidos na Alemanha vêm de outros países; no Japão, 50%; nos países Baixos, 70%.
O desafio:
O grande desafio da humanidade é promover o desenvolvimento sustentável de forma rápida e eficiente.
Este é o paradoxo: sabemos que o tempo está se esgotando, mas não agimos para mudar completamente as coisas antes que seja demasiado tarde. Diz-se que uma rã posta na água fervente saltará rapidamente para fora, mas se a água for aquecida gradualmente, ela não se dará conta do aumento da temperatura e tranqüilamente se deixará ferver até morrer. Situação semelhante pode estar ocorrendo conosco em relação à gradual destruição do ambiente natural. Hoje, grande parte da sociedade se posiciona como mero espectador dos fatos, esquecendo-se de que somos todos responsáveis pelo futuro que estamos modelando. Devemos exercer a cidadania planetária, e rapidamente.
A luz no fim do túnel:
A conscientização ambiental de massa, só será possível com percepção e entendimento do real valor do meio ambiente natural em nossas vidas. O meio ambiente natural é o fundamento invisível das diferenças sócio econômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. O dia em que cada brasileiro entender como esta questão afeta sua vida de forma direta e irreversível, o meio ambiente não precisará mais de defensores. A sociedade já terá entendido que preservar o meio ambiente é preservar a própria pele, e fragilizar o meio ambiente, é fragilizar a economia, o emprego, a saúde, e tudo mais. Esta falta de entendimento compromete a adequada utilização de nossa maior vantagem competitiva frente ao mundo: recursos hídricos, matriz energética limpa e renovável, biodiversidade, a maior floresta do mundo, e tantas outras vantagens ambientais que nós brasileiros temos e que atrai o olhar do mundo.
Mas, se nada for feito de forma rápida e efetiva, as próximas gerações serão prejudicadas duplamente, pelos impactos ambientais e pela falta de visão de nossa geração em não explorar adequadamente a vantagem competitiva de nossos recursos naturais.
Sei, que somos a primeira geração a dispor de ferramentas para compreender as mudanças causadas pelo homem no ambiente da Terra, mas não gostaria de ser uma das últimas com a oportunidade de mudar o curso da história ambiental do planeta.
Marilena Lino de Almeida Lavorato: Publicitária (PUCC), Pós graduada em Gestão Ambiental (IETEC), Sociologia e Política (EPGSP-SP), Gestão de Negócios (FGV), Marketing (ESPM). Mais de 20 anos de experiência na condução de equipes multidisciplinares, parcerias estratégicas, e novos negócios de grandes empresas. Criou e desenvolveu diversas ações macroeducativas na temática ambiental. Atualmente é Diretora da MAIS Projetos (gestão e educação sócio-ambiental) e coordenadora do Grupo Multidisciplinar de Gestão Ambiental da APARH-SP (Associação Paulista de Administradores de Recursos Humanos de São Paulo).
Escrito por Professor Rafael Meurer às 15h07
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 A partir de meados do século XVIII, com a Revolução Industrial, aumentou muito a poluição do ar. A queima do carvão mineral despejava na atmosfera das cidades industriais européias, toneladas de poluentes. A partir deste momento, o ser humano teve que conviver com o ar poluído e com todas os prejuízos advindos deste "progresso". Atualmente, quase todas as grandes cidades do mundo sofrem os efeitos daninhos da poluição do ar. Cidades como São Paulo, Tóquio, Nova Iorque e Cidade do México estão na lista das mais poluídas do mundo.A poluição gerada nas cidades de hoje são resultado, principalmente, da queima de combustíveis fósseis como, por exemplo, carvão mineral e derivados do petróleo ( gasolina e diesel ). A queima destes produtos tem lançado uma grande quantidade de monóxido e dióxido de carbono na atmosfera. Estes dois combustíveis são responsáveis pela geração de energia que alimenta os setores industrial, elétrico e de transportes de grande parte das economias do mundo. Por isso, deixá-los de lado atualmente é extremamente difícil.
Esta poluição tem gerado diversos problemas nos grandes centros urbanos. A saúde do ser humano, por exemplo, é a mais afetada com a poluição. Doenças respiratórias como a bronquite, rinite, alergias e asma levam milhares de pessoas aos hospitais todos os anos. A poluição também tem prejudicado os ecossistemas e o patrimônio histórico e cultural em geral. Fruto desta poluição, a chuva ácida mata plantas, animais e vai corroendo, com o tempo, monumentos históricos. Recentemente, a Acrópole de Atenas teve que passar por um processo de restauração, pois a milenar construção estava sofrendo com a poluição da capital grega.
O clima também é afetado pela poluição do ar. O fenômeno do efeito estufa está aumentando a temperatura em nosso planeta. Ele ocorre da seguinte forma: os gases poluentes formam uma camada de poluição na atmosfera, bloqueando a dissipação do calor. Desta forma, o calor fica concentrado na atmosfera, provocando mudanças climáticas. Futuramente, pesquisadores afirmam que poderemos ter a elevação do nível de água dos oceanos, provocando o alagamento de ilhas e cidades litorâneas. Muitas espécies animais poderão ser extintas e tufões e maremotos poderão ocorrer com mais freqüência.
Apesar das notícias negativas, o homem tem procurado soluções para estes problemas. A tecnologia tem avançado no sentido de gerar máquinas e combustíveis menos poluentes ou que não gerem poluição. Muitos automóveis já estão utilizando gás natural como combustível. No Brasil, por exemplo, temos milhões de carros movidos a álcool, combustível não fóssil, que poluí pouco. Testes com hidrogênio tem mostrado que num futuro bem próximo, os carros poderão andar com um tipo de combustível que lança, na atmosfera, apenas vapor de água.
Escrito por Professor Rafael Meurer às 15h04
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As conseqüências da Revolução Industrial
A Revolução Industrial alterou completamente a maneira de viver das populações dos países que se industrializaram. As cidades atraíram os camponeses e artesãos, e se tornaram cada vez maiores e mais importantes.
Na Inglaterra, por volta de 1850, pela primeira vez em um grande país, havia mais pessoas vivendo em cidades do que no campo. Nas cidades, as pessoas mais pobres se aglomeravam em subúrbios de casas velhas e desconfortáveis, se comparadas com as habitações dos países industrializados hoje em dia. Mas representavam uma grande melhoria se comparadas as condições de vida dos camponeses, que viviam em choupanas de palha. Conviviam com a falta de água encanada, com os ratos, o esgoto formando riachos nas ruas esburacadas.
O trabalho do operário era muito diferente do trabalho do camponês: tarefas monótonas e repetitivas. A vida na cidade moderna significava mudanças incessantes. A cada instante, surgiam novas máquinas, novos produtos, novos gostos, novas modas.
No Brasil
O Brasil faz parte de um grupo de países de industrialização tardia. Durante o período colonial o processo de industrialização praticamente não existiu, devido aos interesses dos produtores portugueses e ingleses que desejavam exportar para o Brasil. O ápice desta situação ocorreu durante o reinado de Dona Maria I. Em 1785 a rainha de Portugal proibiu a instalação e determinou o fechamento de todas as fábricas do Brasil, salvo as manufaturas de panos grossos destinados aos escravos.
O periodo da industrialização do Brasil começa no final do século XIX, nas décadas de 1880 e 1890, mas se intensifica na segunda metade do século XX. Neste período são fundadas a CSN, Companhia Siderúrgica Nacional, a Petrobras e é implantada a indústria automobilistica. Nos anos 70, após o choque do petróleo, a produção industrial se estagnou.
Escrito por Professor Rafael Meurer às 14h57
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Efeitos na sociedade
Na esfera social, o principal desdobramento da revolução foi a transformação nas condições de vida nos países industriais em relação aos outros países da época, havendo uma mudança progressiva das necessidades de consumo da população conforme novas mercadorias foram sendo produzidas.
A Revolução Industrial alterou profundamente as condições de vida do trabalhador braçal, provocando inicialmente um intenso deslocamento da população rural para as cidades. Criando enormes concentrações urbanas; a população de Londres cresceu de 800 000 habitantes em 1780 para mais de 5 milhões em 1880, por exemplo. Durante o início da revolução industrial os operários viviam em condições horríveis se comparadas as condições dos trabalhadores do século seguinte. Muitos dos trabalhadores tinham um cortiço como moradia e ficavam submetidos a jornadas de trabalho enormes, que chegavam até a 80 horas por semana. O salário era medíocre (em torno de 2.5 vezes o nível de subsistência) e tanto mulheres como crianças também trabalhavam, recebendo um salário ainda menor.
A produção em larga escala e dividida em etapas iria distanciar cada vez mais o trabalhador do produto final, já que cada grupo de trabalhadores passava a dominar apenas uma etapa da produção, mas sua produtividade ficava maior. Como sua produtividade aumentava os salários reais dos trabalhadores ingleses aumentaram em mais de 300% entre 1800 até 1870. Devido ao progresso ocorrido nos primeiros 90 anos de industrialização, em 1860 a jornada de trabalho na Inglaterra já se reduzia para cerca de 50 horas semanais (10 horas diárias em cinco dias de trabalho por semana).
Horas de trabalho por semana para trabalhadores adultos nas indústrias têxteis:
1780 - em torno de 80 horas por semana
1820 - 67 horas por semana
1860 - 53 horas por semana
Segundos os socialistas, o salário, medido a partir do que é necessário para que o trabalhador sobreviva (deve ser notado de que não existe definição exata para qual seja o "nível mínimo de subsistência"), cresceu à medida que os trabalhadores pressionam os seus patrões para tal, ou seja, se o salário e as condições de vida melhoraram com o tempo, foi graças a organização e movimentos organizados pelos trabalhadores.
Escrito por Professor Rafael Meurer às 14h55
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A Revolução Industrial foi um processo econômico iniciado na Inglaterra na metade do século XVIII. A produção de bens deixa de ser artesanal e passa a ser mecanizada, ou seja, com a utilização de máquinas movidas pelo vapor e posteriormente pela energia do carvão e elétrica. O mundo deixa a era agrícola e começa a entrar na era industrial.
Com a Revolução Industrial o volume de produção aumenta extraordinariamente. As populações têm acesso aos bens pois os preços ficam acessíveis.
A Revolução Industrial foi possível devido a uma combinação de fatores, como o liberalismo econômico, a acumulação de capital e por uma série de invenções. O capitalismo é o sistema econômico vigente.
Uma das consequências da Revolução Industrial é o rápido crescimento econômico. Antes dela o progresso econômico era sempre lento (levavam séculos para que a renda per capita aumentasse sensivelmente),e depois a renda per capita e a população começaram a crescer de forma acelerada nunca antes vista na história da humanidade. Por exemplo, entre 1500 e 1780 a população da Inglaterra aumentou de 3.5 milhões para 8.5, já entre 1780 e 1880 ela saltou para 36 milhões, devido à drástica redução da mortalidade infantil.
Antes da Revolução Industrial, a atividade de produzir era feita pelos artesãos, os quais muitas vezes, eram proprietários da matéria-prima e comercializavam o produto final do seu trabalho manual. Utilizam apenas algumas ferramentas, um único artesão realizava o trabalho ou um grupo se organizava para dividir as etapas do processo da produção, sem utilizar máquinas, por isso se chama manufatura. Esses trabalhos eram realizados em oficinas construídas nas casas dos próprios artesãos.
Depois da Revolução Industrial, os trabalhadores não eram mais os “donos” do processo. Eles passaram a trabalhar para um patrão como operários ou empregados. A matéria-prima e o produto final não lhes pertenciam mais. Esses trabalhadores passaram a controlar máquinas que pertenciam ao empresário, dono dos mecanismos de produção e para o qual se destinava o lucro. Pelo trabalho ser realizado com máquinas ficou conhecido por maquinofatura.
Esse momento revolucionário, de passagem da energia humana, hidráulica e animal para motriz, é o ponto culminante de uma evolução tecnológica, social e econômica que vinha se processando na Europa desde a Baixa Idade Média, com particular incidência nos países onde a Reforma Protestante tinha conseguido destronar a influência da Igreja Católica: Inglaterra, Escócia, Países Baixos, Suécia. Nos países que permaneceram católicos a revolução industrial aparece, regra geral, mais tarde e num esforço declarado de copiar aquilo que se fazia nos países mais avançados tecnologicamente (os países protestantes).
Já de acordo com a teoria de Karl Marx, a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, integra o conjunto das chamadas “Revoluções Burguesas” do século XVIII, responsáveis pela crise do Antigo Regime, na passagem do capitalismo comercial para o industrial. Os outros dois movimentos que a acompanham são a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa que, sob influência dos princípios iluministas, assinalam a transição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Para ele, o capitalismo seria um produto da revolução industrial e não sua causa.
Escrito por Professor Rafael Meurer às 14h54
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 HISTÓRIA MARXISTA - MATERIALISMO HISTÓRICO A influência do marxismo foi profunda na trajetória das ciências sociais, particularmente desde os anos 1930 e, em especial, dos decênios que e se seguiram à segunda guerra mundial. Essa expansão da metodologia marxista nas ciências sociais em seu conjunto teve, no caso da historiografia, um impacto talvez ainda maior, pela natureza mesma da construção teórica marxista, cujo fundamento é a análise da história. Nos países ocidentais falou-se de uma historiografia marxista francesa (Labrousse, Vilar, Lefebvre, Soboul, Bouvier), de uma inglesa (Dobb, Hill, Hobsbawm, Hilton, Thompson, Samuel, Anderson), de uma italiana (Sereni, Zangheri, Procacci, Romeo, Barbagallo), de uma espanhola (Fontana, Tuñón, Elorza, Pérez Garzón, Ruiz), de uma brasileira (Caio Prado Jr., Gorender, Nelson Werneck Sodré, entre outros). Diversamente da escola dos Annales, cujo âmbito é quase que exclusivamente francês, o marxismo possui uma difusão e uma importância de natureza supranacional. No entanto, através um conjunto de princípios comuns, deixa ela perceber a marca nacional concreta que inspira o desenvolvimento geral da filosofia e da teoria social marxista em cada caso.
O materialismo histórico se enuncia na obra de Marx e Engels na encruzilhada decisiva dos anos quarenta do séc. XIX. Sua primeira formulação elaborada aparece já na "Ideologia Alemã", escrita por Marx e Engels em 1845-46, mas publicada quase um século depois. Pierre Vilar recorda que a obra de Marx "introduziu a história no campo da ciência", embora o conceito de história desde uma perspectiva marxista ainda não estivesse acabado. Indicou também que Marx é o "primeiro estudioso que propôs uma teoria geral das sociedades em movimento", o que constitui, sem dúvida, uma brilhante forma de remeter a uma definição do histórico que faz justiça ao entendimento de Marx a esse respeito. Vilar insiste ainda que uma "teoria geral" não é uma filosofia.
O método de análise marxista de todo o processo histórico tem como eixo a dialética. Não é porém simples explicar o que se quer dizer com dialético, para além da idéia das contradições inerentes a toda realidade — tese e antítese — e sua superação em nova síntese. Para o marxismo, essas contradições não se produzem, como queria Hegel, em um movimento de idéias, mas sim nas condições materiais básicas. As "relações de produção" são a categoria absolutamente distintiva de cada estágio histórico. Tal relações de produção são um reflexo do estado da "forças produtivas", mas aquelas não estão necessariamente sujeitas a estas, de forma que em determinadas conjunturas históricas ambos elementos entram em contradição produzindo um conflito básico que dá lugar à mudança histórica. Os estágios históricos determinados pela natureza das forças e relações de produção existentes são pensados pelo marxismo como "modos de produção", que são tanto uma construção categorial e um modelo metodológico como, em termos reais, um estágio histórico. No plano das realidades históricas concretas, todavia, os modos de produção não se apresentam nunca da maneira que o modelo parece estabelecer, mas com peculiaridades que obrigam a introduzir o conceito de "formação social" específica.
Josep Fontana caracterizou o desenvolvimento do materialismo histórico, desde a morte de Friedrich Engels em 1895 até os dias de hoje como um "duplo processo de desnaturalização e de recuperação", em boa parte simultâneos. Com a morte de Engels sobrevém uma primeira crise, em cujo contexto se desenvolve um revisionismo como o representado por Eduard Bernstein na Alemanha. O marxismo, na realidade, levou muitos anos a chegar plenamente aos círculos acadêmicos, em especial no campo da historiografia.
A historiografia marxista francesa centrou sua atenção em determinados temas escolhidos: a história do movimento operário — tomando como referência inaugural a revolução francesa — abrindo assim o espaço das muitas variações conhecidas sob a designação genérica de história social. Um aspecto, enfim, que não pode ser deixado de lado é o da importância da história à luz da teoria marxista, ou os aspectos sociais da própria prática do historiador. Além de Vilar, recorde-se Balibar, na esteira de Althusser, G. Dhoquois e Jean Chesnaux, cujo texto sobre a impossibilidade de se ignorar o passado concreto trouxe importante corretivo à perspectiva marxista da utopia revolucionária.
Desde a segunda guerra mundial surge na Inglaterra uma extraordinária geração de historiadores que estavam em princípio ligados ao partido comunista britânico. Sob a inspiração e o ensino de Maurice Dobb e mais distante de R. H. Tawney, criou-se uma das "escolas marxistas" cuja contribuição para a historiografia social é das mais densas e coesas, sem estar entrevada por rigidez metódica e demonstrando possuir vasta capacidade de renovação. O marxismo foi determinante para a renovação da historiografia britânica enraizada, até a segunda guerra mundial em sua sempiterna tradição liberal (whig) cujos expoentes eram A. J. P. Taylor, H. Trevor-Ropper ou G. Elton.
Mesmo que se fale indiscriminadamente de uma historiografia marxista inglesa, é certo que estamos diante de autores diversos, cujas perspectivas historiográficas não coincidem monoliticamente. Um primeiro grupo pode ser visto nos historiadores que de uma ou outra forma estiveram ligados ao partido comunista e se exprimiram mais freqüentemente na New Left Review, dentre os quais se destaca Edward P. Thompson, certamente o mais original e criativo, responsável por marcante evolução no uso do aparato conceitual de inspiração marxiana, ao dedicar-se às questões culturais, desde um ponto de vista anti-estrutural, abordando as formas de representação e manifestação dos conteúdos de classe. O aspecto mais significativo desse conjunto de marxistas britânicos está sobretudo no que produziram em termos de fundamentação conceitual. A maioria dos historiadores vinculados a essa tendência influenciou tanto a pesquisa histórica concreta quanto a definição de processo histórico e dos fundamentos da disciplina. Destaca-se nesse grupo a obra de Eric J. Hobsbawm, sem a menor dúvida a de maior amplitude de visão e a mais abrangente de temas não umbilicalmente presos à história britânica. Destaque merece também a extensa e tanto ou mais influente obra de Edward P. Thompson, angular para a história do operariado inglês e determinante da redefinição dos termos de influência do pensamento marxista na historiografia, com sua Miséria da Teoria, em que polemiza duramente com Louis Althusser.
Escrito por Professor Rafael Meurer às 15h19
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 Apolônio de Carvalho foi uma figura ímpar no cenário da vida política brasileira. Poucos como ele viveram com tanta intensidade a «paixão libertária» que o impeliu, desde os seus anos de cadete da Escola Militar de Realengo, a engajar-se na luta pelos ideais socialistas e contra os regimes de opressão, com uma coerência que se manifestou em todos os episódios vividos: da militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e na ANL (Aliança Nacional Libertadora) à participação na Guerra Civil Espanhola e na Resistência Francesa contra o fascismo; da luta clandestina contra a ditadura militar no Brasil, como membro do PCBR, à militância no PT, desde o momento da fundação do partido até sua morte.
Apolônio de Carvalho era filho de um soldado sergipano e de mãe gaúcha. Teve contato com a política bem jovem, na época em que cursou a escola militar, conforme disse à revista Teoria e Debate em 1989: "Em fins de 1933 eu já era oficial, achava que era necessário mudar a sociedade brasileira", contou ele. Dois anos depois, ajudou a criar a ANL: "um colega do Rio Grande do Sul, um capitão do Exército, me falou da ANL (...) Então, eu participei da organização dessa frente popular" Preso em 1936 pelo governo de Getúlio Vargas, tem sua patente militar destituída e é expulso do Exército.
Com a saída da prisão em junho de 1937, Apolônio ingressa no Partido Comunista Brasileiro. Segundo disse Apolônio a Teoria e Debate , o ideário do PCB "era muito parecido com o da ANL: contra os monopólios estrangeiros, pela reforma agrária, pela autonomia sindical, pelas liberdades sindicais, pelas amplas conquistas sociais". Recebe a orientação de embarcar para a Espanha onde, juntamente com outros vinte brasileiros, combaterá nas Brigadas Internacionais ao lado das forças Republicanas contra os fascistas liderados pelo general Francisco Franco.
Apolônio deixa a Espanha juntamente com as Brigadas Internacionais em fevereiro de 1939 e parte para a França, onde permanece em campos de refugiados até maio de 1940, quando consegue fugir do campo de Gurs, dirigindo-se a Marselha. É nesta cidade portuária que ele ingressa na Resistência Francesa, em 1942, da qual se torna comandante da guerrilha dos partisans para a região sul, com sede em Lyon. É também em 1942 que conhece Renée, uma jovem militante comunista da Resistência, que se tornaria sua companheira para o resto da vida. Em janeiro de 1944, Apolônio e Renée se instalam em Nîmes, onde em fevereiro, se organiza o ataque à prisão daquela cidade, libertando 23 militantes da Resistência. Em maio, mudam-se para Toulouse. Em agosto, Apolônio comanda a liberação de Carmaux, Albi e Toulouse. Em novembro, nasce o primeiro filho do casal, René-Louis.
O fim da guerra encontra a família em Paris, de onde embarca no ano seguinte para o Rio de Janeiro. Em 1947 nasce o segundo filho do casal, Raul. Apolônio, Renée e as duas crianças passam a viver na clandestinidade, militando entre Rio e São Paulo até 1953, quando ele parte para um curso na União Soviética que dura cerca de quatro anos. Em 1955, Renée o encontra em Moscou e, em 1957, a família está de volta ao Brasil, vivendo na semi-legalidade, situação que se estende até o golpe militar de 1964.
Na década de 60, participou da oposição popular e democrática ao regime militar. Logo após o golpe de 31 de março de 1964, Apolônio passa a viver em profunda clandestinidade no estado do Rio de Janeiro, longe da família. Em conseqüência das divergências com o Comitê Central do Partido Comunista (do qual era membro) Apolônio e a Corrente Revolucionária do Estado do Rio deixam o PCB, em 1967. Em abril do ano seguinte, juntamente com Mário Alves, Jacob Gorender e outros dissidentes, Apolônio fundará o PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário).
Em janeiro de 1970, no bojo de quedas que atingiram dezenas de militantes do PCBR, Apolônio e Mário Alves são presos no Rio e Jacob Gorender em São Paulo. Todos são violentamente torturados e Mário Alves, assassinado. Em fevereiro, os filhos Raul e René-Louis também são presos.
Em junho, Apolônio e outros 39 presos políticos brasileiros chegam a Argel, trocados pelo embaixador alemão, seqüestrado por um comando revolucionário no Rio de Janeiro. René-Louis será libertado em 1971, trocado (juntamente com 69 outros presos políticos) pelo embaixador da Suíça. Raul sai da prisão no ano seguinte. Depois disso que Renée deixa o Brasil e a família se reúne em Paris. Durante os anos que teve de ficar fora das terras brasileiras, mantém contato com o Brasil e se articula com os exilados no exterior. A volta ao Brasil será em outubro de 1979, depois da Anistia de agosto daquele ano.
No final dos anos 70, aproximou-se dos grupos que então trabalhavam para criar o PT, tornando-se um de seus fundadores. "Nós tivemos uma imensa simpatia pelo PT", disse ele. "Em fevereiro de 1980, quando se lança (o partido) oficialmente, vemos o primeiro partido de esquerda em todo o século que pleiteia, como um de seus traços essenciais, a conquista da legalidade".
Permanece na direção do novo partido até 1987, quando se afasta por orientação médica.
Apesar das limitações da saúde e da idade, Apolônio prossegue um militante que não se furtará jamais aos debates e à manifestação pública de suas posições de socialista convicto. Um socialista que soube combater criticamente as distorções do socialismo real mas que, nem por isto (ou por isto mesmo), a queda do muro de Berlim ou o diversionismo das teorias propagadas pelo capital conseguiram dobrar.
Entusiasta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ao qual sempre prestou apoio e junto ao qual esteve sempre presente, enfrentou nos últimos meses de sua vida a derrocada do Partido dos Trabalhadores, frente ao que não abriu mão da crítica ou da esperança. Para ele, um novo mundo (socialista) era sempre possível e poderá estar sempre ao alcance de nossas mãos, desde que estejamos dispostos a nos organizar e a lutar por ele.
A atribuição Herói de Três Pátrias se deu pelo fato de Apolônio ter lutado contra o fascismo em três países: Brasil, Espanha e França.
Escrito por Professor Rafael Meurer às 15h03
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Em maio de 1968 os estudantes franceses iniciaram uma onda de protestos que sacudiu o mundo. Em Maio de 1968 (neste contexto usualmente se diz Maio de '68) uma greve geral aconteceu na França. Rapidamente ela adquiriu significado e proporções revolucionárias, mas em seguida foi desencorajada pelo Partido Comunista Francês, de orientação Stalinista, e finalmente foi suprimida pelo governo, que acusou os Comunistas de tramarem contra a República. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, por que não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores ou minorias, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe.
Começou como uma série de greves estudantis que irromperam em algumas universidades e escolas de ensino secundário em Paris, após confrontos com a administração e a polícia. À tentativa do governo de de Gaulle de esmagar essas greves com mais ações policiais no Quartier Latin levou a uma escalada do conflito que culminou numa greve geral de estudantes e em greves com ocupações de fábricas em toda a França, às quais aderiram dez milhões de trabalhadores, aproximadamente dois terços dos trabalhadores franceses. Os protestos chegaram ao ponto de levar de Gaulle a criar um quartel general de operações militares para lidar com a insurreição, dissolver a Assembléia Nacional e marcar eleições parlamentares para 23 de Junho de 1968.
O governo estava próximo ao colapso naquele momento (de Gaulle chegou a se refugiar temporariamente numa base da força aérea na Alemanha), mas a situação revolucionária evaporou quase tão rapidamente quanto havia surgido. Os trabalhadores voltaram ao trabalho, seguindo a direção da Confédération Générale du Travail, a federação sindical de esquerda, e do Partido Comunista Francês (PCF). Quando as eleições foram finalmente realizadas em Junho, o partido Gaullista emergiu ainda mais poderoso do que antes.
A maioria dos insurretos eram adeptos de idéias esquerdistas, comunistas ou anarquistas. Muitos viram os eventos como uma oportunidade para sacudir os valores da "velha sociedade", dentre os quais suas idéias sobre educação, sexualidade e prazer. Uma pequena minoria dos insurretos, como o Occident, professava idéias de direita.
Escrito por Professor Rafael Meurer às 14h59
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Antonio Gramsci, filósofo italiano morto pelo regime facista...
A influência póstuma de Gramsci encontra-se associada principalmente aos mais de trinta cadernos de análise histórica e filosófica que escreveu durante o período em que esteve na prisão. Estes trabalhos, conhecidos coletivamente como Cadernos do Cárcere, contém o pensamento maduro de Gramsci sobre a história da Itália e nacionalismo, bem como idéias sobre teoria crítica e educacional que são freqüentemente associadas com o seu nome, tais como:
* Hegemonia cultural como um meio de manutenção do Estado capitalista * A ampliação da concepção Marxista de Estado * A necessidade de educar os trabalhadores para encorajar o surgimento de intelectuais dentro da classe trabalhadora.
Com a hegemonia cultural, Gramsci realizou uma fina análise para explicar - num momento em que o movimento comunista, sob a dominação da Terceira Internacional, considerava de modo geral necessário preparar-se para uma tomada violenta do poder à maneira dos bolcheviques russos - porque a "inevitável" revolução do proletariado, prevista pelo marxismo leninista ortodoxo, não teria ocorrido na Europa Ocidental àquela altura do século XX. Ao contrário, o capitalismo parecia então, apesar de todas as crises políticas e econômicas, dotado de uma capacidade inesperada de sobrevida nos países capitalistas avançados. A Burguesia, nestes países, Gramsci sugeria, mantinha o controle sobre toda sociedade não apenas através da coerção política ou econômica, porém também pela cooptação ideológica, por meio de uma cultura hegemônica na qual os valores e interesses particulares da burguesia se tornavam o "senso comum". "Senso comum" este, que como explicaria Gramsci nos seus escritos carcerários, existiria, não naturalmente, como uma percepção empírica e passiva da realidade material, mas como uma construção mental realizada por cada indivíduo, grupo, e classe a partir das idéias recebidas e de seus projetos - "todos os homens são filósofos". Para Gramsci, a identidade originaria entre a condição humana e o filosofar encontra-se expressa na prória existência de uma linguagem, "conjunto de noções e conceitos determinados" - de interpretações da realidade - "e não, simplesmente, de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo"[1]. Para Gramsci, este senso comum na maioria dos casos é um aglomerado heterogêneo e incoerente de noções de procedência a mais variada; mas cabe aos intelectuais, precisamente, a tarefa de codificarem este senso comum numa cosmovisão internamente coerente e unificada.
Na sociedade burguesa moderna, os intelectuais da classe hegemônica haviam conseguido produzir, em determinadas circunstâncias históricas, um consenso cultural fabricado na intenção de que os membros da classe trabalhadora identificassem seus próprios interesses particulares com aqueles da burgesia, ajudando a manter o status quo. Por isto, segundo Gramsci, a classe trabalhadora precisava desenvolver uma cultura "contra-hegemônica", primeiro para demonstrar que os valores da burgesia não representavam os valores "naturais", "normais" ou "desejáveis" e "inevitáveis" de uma sociedade moderna e, segundo, para expressar politicamente seus próprios interesses (interesses estes que eram majoritários na sociedade como um todo, já que a classe trabalhadora forma a maioria da população de um país).
É de Gramsci o termo "Moderno Príncipe": este, ao contrário do príncipe de Nicolau Maquiavel (o monarca, ou seja, uma pessoa "física"), é um ente coletivo, personificado num partido. O "Moderno Príncipe" é quem influenciaria os costumes do povo, interferindo indireta e dialeticamente (e, portanto, sendo influenciado também por ele em sentido inverso) em sua cultura, língua, moda, pensamento e atitudes. O "Moderno Príncipe" é alternativamente identificado, nos escritos de Gramsci, com o Partido Comunista,com o movimento socialista, ou com a classe trabalhadora organizada. Os prórios "cadernos", deixam esta questão nebulosa. Deve-se levar em conta, no caso, que Gramsci escreveu os seus "Cadernos" sob vigilância direta da censura fascista e que, portanto, não estava em condições de neles propor uma estratégia prática de tomada do poder, como muitos imaginam; o que ele conseguiou fazer, foi chamar a atenção para a especificidade do caso russo e afirmar que uma revolução socialista na Europa Ocidental teria obrigaóriamente de ser um processo muito diverso da Revolução Russa.
Segundo a percepção de Gramsci, nas sociedades ocidentais a hegemonia cultural provém principalmente da sociedade civil, através da formação e manutenção de aparelhos privados de hegemonia, como as igrejas, escolas, universidades e associações, dentre outros, que tornam muito mais difícil uma tomada do poder político "de assalto", como ocorreu na Rússia em 1917. Desta forma, Gramsci amplia a concepção de Estado de Marx, pois diferentemente deste ele não considera a sociedade civil apenas como parte da "Base" ou "Infra-estrutura" econômica, mas como uma esfera de mediação entre a superestrutura e a infra-estrutura tais quais concebidas por Marx. Essa hegemonia cultural nas sociedades ocidentais explicaria, de certa forma, a dificuldade de ocorrerem revoluções socialistas em países dotados de sociedade civil altamente organizada, como na Alemanha ou na Inglaterra.
A necessidade de criar uma cultura da classe trabalhadora está relacionado com a proposta que Gramsci fez para um novo tipo de educação que pudesse desenvolver intelectuais na e para a classe operária. Suas idéias para um sistema educacional deste tipo correspondem à noção de pedagogia crítica e educação popular, segundo foram teorizadas e postas em prática décadas depois por Paulo Freire no Brasil. Por este motivo, promotores de educação popular e de educação para adultos consideram Gramsci como uma voz a ser ouvida até os nossos dias. As idéias de Gramsci também serviram de base para a criação da chamada Teologia da Libertação.
Embora o pensamento de Gramsci encontre muitos adeptos na esquerda organizada, ele tornou-se também um personagem importante nas discussões acadêmicas que tratam de estudos culturais e teoria crítica. Teóricos políticos do centro e da direita também encontraram inspiração em seus conceitos; sua idéia de hegemonia, por exemplo, tornou-se amplamente citada. Sua influência é particularmente forte na ciência política contemporânea, no tema da prevalência do pensamento neo-liberal entre as elites políticas. Seu pensamento também influenciou fortemente os estudos sobre cultura popular .
Escrito por Professor Rafael Meurer às 14h52
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Eu sou Rafael Meurer, professor de História nas escolas EEB Dr. Jorge Lacerda e EEB Profº João Rocha, as duas em Joinville.
A intenção desse blog é de publicar projetos, textos, debates sobre o ensino da História, compartilhando com outros professores as experiências vividas em nossas escolas. Além de incentivar os alunos a navegarem nestes espaços, participando dos debates e das novas experiências educacionais.
ESTAMOS ABERTOS A TODO TIPO DE DEBATE SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA!
Escrito por Professor Rafael Meurer às 15h30
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